quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Tortura no Iraque: a vingança das mulheres

A histeria da imprensa mundial contra os Estados Unidos não se justifica — as “torturas” cometidas por soldados norte-americanos no Iraque são uma vitória das mulheres e da democracia

Há choro e ranger de dentes na imprensa de todo o mundo. Do anônimo jornal-mural de escola secundária ao prestigioso Le Monde, de Paris, não se fala em outra coisa senão nas torturas cometidas por soldados norte-americanos no Iraque. Nos últimos dias, a imprensa mundial tem abusado das imagens de prisioneiros iraquianos sendo humilhados pelas tropas de ocupação do país. Entre outras aparentes sevícias, elas mostram iraquianos nus, empilhados uns sobre os outros. E até um iraquiano aparentemente preso a uma coleira por uma soldada norte-americana.

Dizem que uma imagem vale por mil palavras. Mas os vídeos das “torturas” no Iraque provam que esse ditado é uma falácia — se imagens realmente valessem mais do que palavras ninguém estaria falando em tortura. O que os vídeos mostraram até agora é que os iraquianos estavam sendo humilhados. Mas entre humilhar e torturar há uma distância infinita que só a mente perversa dos intelectuais modernos não é capaz de perceber. Como uma imagem nada vale por si e pode ser facilmente manipulada por palavras, a esquerda internacional — que domina completamente os meios de comunicação no mundo — conseguiu transformar uma rude brincadeira de soldados numa cruel tortura de nazistas.

No Le Monde, sintetizando tudo o que tem dito a imprensa mundial, Patrick Jarreau escreve que “as cenas fotografadas na prisão pelos próprios soldados testemunham uma crueldade gratuita, sádica”. O francês menciona a distinção entre abuso e tortura (lembrada pelo secretário de Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld) e observa que “a tortura é, no sentido próprio, o fato de infligir a alguém uma dor insuportável”. Depois, reconhece que os prisioneiros iraquianos, pelo que se sabe até agora, não foram submetidos a esse tipo de tratamento. Mesmo assim, conclui: “Obrigar homens a se despir, amontoar-se uns sobre os outros, praticar ou simular atos sexuais equivale a uma violência que, por ser diferente da tortura, não é menos insuportável”.

A exemplo de quase todo intelectual moderno, Patrick Jarreau acredita que a “violência psicológica” dói tanto ou mais do que a violência física. Ora, a rigor só existe violência física. A chamada “violência psicológica” não passa de um conceito-esponja que abriga as atitudes mais díspares — desde o olhar severo de um pai sobre o filho até o preconceito racial de toda espécie. Tanto que, hoje, a palavra violência foi esvaziada de todo sentido, transformando-se num mero artefato ideológico que tanto serve para perdoar a chacina de garimpeiros por cintas-largas quanto para condenar a justa repressão policial ao crime. Enquanto a ação policial é sempre a encarnação da violência física, a barbárie dos índios é vista como justa reação à “violência simbólica” de que são vítimas desde o Descobrimento.

Acontece o mesmo com a violência da guerra no Iraque. Ao considerar tortura — portanto, violência física — a brincadeira de mau gosto dos soldados norte-americanos com os presos iraquianos, a esquerda mundial, em sua sanha anti-Bush, minimiza a verdadeira tortura que era praticada por Saddam Hussein e seus filhos, que além de estupros randômicos, perpretados contra moças da população, incluía a mutilação de presos políticos. Ora, o que é mais grave: ter de ficar nu durante algumas horas, como aconteceu com os soldados iraquianos, ou ficar mudo para toda a vida depois de ter a língua cortada pelos torturadores de Saddam Hussein? Só a retórica esconsa da esquerda pode equiparar essas alternativas, isso quando não considera a humilhação mais grave do que a tortura.

É possível que alguns soldados norte-americanos tenham mesmo torturado prisioneiros no Iraque. Mas essa condenável atitude pontual não pode macular a imagem das tropas norte-americanas, que são, de longe, as mais profissionais e civilizadas do mundo. Ao cabo da Segunda Guerra Mundial, por exemplo, os soldados dos Estados Unidos não incutiam medo nas mulheres da Alemanha derrotada. Já os soldados da Rússia de Stalin eram temidos como feras — por serem estupradores contumazes de toda mulher que viam pela frente. Aliás, saquear cidades e estuprar mulheres é um costume histórico das guerras do Oriente e da África — prática copiada pelas tropas do sanguinário ditador Fidel Castro em Angola.

Só o Ocidente conseguiu civilizar a guerra, até onde isso é possível. Exigir que os soldados norte-americanos não cometam excessos num ambiente tão hostil como o do Iraque, em que são vítimas de atentados terroristas a todo instante, é cobrar deles um pacifismo de santo. Sem contar que não se desarma um iminente atentado terrorista oferecendo café aos suspeitos de perpetrá-lo. Pelo menos alguma pressão psicológica é necessária para fazer o preso denunciar o cúmplice que está prestes a explodir mais uma bomba. Aliás, a pressão psicológica que os norte-americanos usam nos interrogatórios é extremamente civilizada, se comparada com a destruição aleatória que os iraquianos cometem em seus atentados — matando inocentes civis de sua própria população.

Se os soldados dos Estados Unidos estivessem mesmo torturando presos iraquianos, eles próprios iriam filmar a tortura e preservar os filmes, permitindo que as imagens chegassem às mãos de seus superiores e caíssem em poder da imprensa? Se aquilo for tortura na verdadeira acepção da palavra, então os estudantes da USP já deveriam ter sido encarcerados, porque os trotes que eles impõem aos calouros costumam ser mais violentos do que tudo o que se vê naquelas imagens. Todos os anos, durante os trotes nas universidades brasileiras, rapazes e moças são obrigados a ingerir bebida alcoólica até cair. E as estudantes, bêbadas, são expostas nas ruas como prostitutas, pedindo dinheiro a motoristas para os criminosos do trote comprarem mais bebida. A USP ainda carrega um cadáver insepulto, morto num desses trotes por facínoras que se tornaram médicos.

Apesar de viciados em análises de discurso e desconstruções semióticas, os intelectuais brasileiros e franceses não quiseram fazer a leitura mais óbvia das imagens que mostram prisioneiros iraquianos sendo maltratados. Há um claro manifesto feminista naquelas imagens. Não se trata exatamente de uma tortura convencional, mas de uma inusitada vingança das mulheres. E até pelo fato de serem mulheres, dificilmente elas seriam tão violentas nesses maltratos como costumam ser os homens. São elas que humilham os iraquianos subjugados, como mostra reportagem do New York Times, republicada pela Folha de S. Paulo, na quinta-feira, 6. Na reportagem, um xiita que praticou atentados contra as tropas norte-americanas conta como foi “torturado” na prisão de Abu Ghraib.

Entre as “torturas” que sofreu e presenciou, o xiita Hayder Sabbar Abd, de 34 anos, conta que foi empilhado nu, com outros iraquianos, enquanto uma soldada norte-americana sentava-se, sorridente, sobre aquela pilha de homens humilhados, com a palavra “estupradores” escrita no corpo. Eles também eram obrigados a simular sexo oral uns com os outros. Numa outra cena que protagonizou, encapuzado e nu, Abd viu sua genitália ser motivo de galhofa de outra soldada norte-americana, que apontava seu membro para as câmaras. Por fim, ele foi obrigado a se masturbar, olhando para as guardas que o vigiavam. Uma delas pôs as mãos sobre os seios, enquanto ria-se dele. Humilhado, Abd não quis se masturbar e, por isso, levou um soco de um dos soldados. Para não apanhar mais, teve que fingir que se masturbava, mesmo sem ereção.

A hipócrita imprensa ocidental, que nunca se importou com a animalesca pornografia que campeia solta em suas metrópoles, finge-se horrorizada diante dessas cenas, alegando que ficar nu em público é a suprema humilhação para o homem árabe. Ora, ver cenas de nudez homossexual nas ruas, durante as sórdidas passeatas do Movimento Gay, também é uma humilhação para pacatos evangélicos de origem rural, nem por isso surgem intelectuais para defendê-los desse abuso. Em sua entrevista, o xiita Abd reconhece que as “torturas” que sofreu foram uma exceção nos seis meses em que esteve preso. Segundo ele, os guardas norte-americanos eram educados e sequer mandavam os prisioneiros calarem a boca.

Isso reforça o caráter de manifesto feminista das “torturas” protagonizadas pelas tropas norte-americanas no Iraque. Ao humilhar os homens iraquianos, as soldadas norte-americanas estavam vingando suas irmãs árabes, que padecem o jugo de uma violência beduína. Nas genitálias inermes dos iraquianos nus, elas expunham a fragilidade de uma cultura calcada num machismo tribal, capaz de despojar as mulheres da própria alma, transformando-as em vaca e urinol, misto de patrimônio material e objeto de uso. O Ocidente parece ter-se esquecido do horror em que vivem as mulheres sob o jugo de xiitas e talebãs. Se uma cultura considera mais humilhante ficar nu em público do que chutar suas mulheres no recesso dos lares, então a guerra de Bush já não é mais contra um terror localizado — ela se torna a luta da civilização contra a barbárie.

É claro que, além das humilhações feministas a que os iraquianos foram submetidos, pode estar ocorrendo tortura de verdade no Iraque. Mesmo assim, essas possíveis torturas não invalidam este artigo. Todas as manifestações de horror diante das torturas reais ou fictícias no Iraque só são possíveis graças a George Bush e sua guerra. Se o Iraque ainda estivesse sob o jugo de Saddam Hussein, esses xiitas não teriam fotos de genitálias inermes para acusar os Estados Unidos — provavelmente estariam sem elas e sem a língua para contar como as perderam. Como os Estados Unidos governam o Iraque, eles podem protestar diante de todo o mundo civilizado, valendo-se exatamente da imprensa norte-americana. E obrigam George Bush a pedir desculpas aos iraquianos, enquanto Donald Rumsfeld — mostrando o que é ser autoridade num país sério — chama para si toda a responsabilidade por torturas que não autorizou. Um exemplo para o Brasil, onde autoridade alguma assume responsabilidade de nada — a culpa é sempre do contínuo.

Antes de criticar Bush, tentando transformá-lo em Hitler, a esquerda mundial, que monopoliza a imprensa, deveria reconhecer que, a despeito da guerra, a democracia chegou ao Iraque. As famílias de Bagdá já não têm que esconder suas filhas dos filhos de Saddam, e os cidadãos iraquianos já podem dizer o que pensam sobre o país — na imprensa livre que os norte-americanos lhes oferecem. Prova disso é que, depois de denunciar as supostas torturas de que foi vítima, o xiita Hayder Sabbar Abd confessou que “não recusaria uma oferta para mudar-se para os Estados Unidos”. Como se vê, o Iraque de Bush gostaria de ser Cuba, geograficamente — para que os iraquianos ficassem a um pulo de barco dos Estados Unidos. Já a Cuba de Fidel gostaria de ser o Iraque, politicamente — para que os cubanos também pudessem denunciar as torturas de que são vítimas.

(Publicado no Jornal Opção, em 9 de maio de 2004)

3 comentários:

Bruno disse...

Q opinião absurda! defender a tortura? Não acredito q li isso!

Álisson Alves Moura disse...

Ai Bruno deixa pra abrir a merda dessa boca quando você tiver algum familiar que foi morto pela essa raça inferior de vermes. let's go Estados Unidos liberem a tortura contra os malditos terrorista. antes de defender essa raça lembre-se pessoal do 11 de setembro e de quantas pessoas morreram.

celso disse...

Seu Bruno, como a grade maioria dos internautas simplesmente não sabe ler !!!